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Uma amostra da inovação para otimizar os processos produtivos

junho 1, 2015
Tempo de leitura 8 min

Estamos em um momento em que a inovação é mais que necessária, é uma questão de sobrevivência”, destacou Gisela Schulzinger, presidente da Associação Brasileira de Embalagem – ABRE. “Precisamos buscar alternativas ‘fora da caixa’ para superar um ano atípico, mas com situações já esperadas por todo o mercado. Inteligência e estratégia são duas palavras que devem ser incorporadas pelas empresas de todos os segmentos.” 

Enquanto se aguarda o novo ciclo de crescimento a partir de 2016, previsto pelos cientistas econômicos, a palavra de ordem é inovar, um dos mandamentos listados pelos próprios economistas para este ano de ajuste. E no setor de embalagem a situação não é diferente, pois acompanha os demais, já que atua com diversas indústrias, tanto de matérias-primas quanto as usuárias, sendo a interface do produto para o consumidor e, portanto, deve ser vista como parte integrante do produto. Por isso, esta seção reúne novas soluções para o mercado de embalagens, uma amostra da inovação de empresas empreendedoras, que proporcionam aumento da produtividade e da qualidade em sua fábrica. E nos próximos meses, veja mais lançamentos, já que ocorreu recentemente a Fispal Tecnologia – Feira Internacional de Processos, Embalagens e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas, no Anhembi, em São Paulo-SP.

A equipe de reportagem da Revista NEI questionou professores de engenharia de produção, materiais, embalagens e alimentos para descobrir as novidades na área de processos industriais de embalagens. E as respostas foram unânimes: bioplásticos, derivados de fontes de biomassa renováveis, como milho e cana-de-açúcar, que, como alternativas aos originados do petróleo, causam menor impacto ambiental.

José Alcides Gobbo Junior, pós-doutor no departamento de Packaging Logistics da Lund University, Suécia, e livre-docente da Faculdade de Engenharia de Bauru da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp, citou os bioplásticos de especial interesse para o Brasil, já que o País é fonte de recursos renováveis e tem grande parte do lixo urbano depositado em aterros. “Bioplásticos podem ter um papel essencial na satisfação de necessidades como a mitigação da mudança climática”, disse Junior. “Existe um consenso de que eles serão necessários em um futuro de baixo carbono.”

Segundo o livre-docente, os bioplásticos têm aplicações e características que crescentemente se assemelham às dos plásticos comuns. Podem ser processados utilizando-se tecnologias convencionais; apenas os parâmetros dos equipamentos precisam ser ajustados para as especificações de cada tipo. Apesar do custo mais elevado, os preços têm continuamente caído dado o crescimento da demanda e o potencial aumento do custo de petróleo, mas ainda é pouco explorado. Embalagem é o mercado principal, mas há aplicações em etiquetas, brinquedos, cosméticos, contêineres e nos setores automotivo, eletrônico e têxtil, como roupas de segurança.

O professor explicou que os bioplásticos são uma família de materiais que variam de um para outro. Existem três grupos: bioplásticos integrais ou parciais (não biodegradáveis), exemplo PE, PET e PP; bioplásticos biodegradáveis, como PLA e PHA; e novos biopolímeros à base de recursos fósseis, PBAT e PCL, por exemplo. Os materiais do segundo e do terceiro grupo são biodegradáveis e, sob certas circunstâncias, compostáveis. Produtos de polímeros biodegradáveis, que sejam certificados como compostáveis, podem ser utilizados em compostagem industrial. Dependendo do tipo de material/aplicação, os bioplásticos podem ser reciclados nos fluxos existentes.

Carlos Eduardo Sanches da Silva, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal de Itajubá, além de pós-doutor em engenharia de produção, informou que a tecnologia para as biorrefinarias vem sendo desenvolvida no Brasil em universidades – com destaque para a rede colaborativa Network of Excellence in Biomass and Renewable Energy – Nobre, que reúne USP, UFRJ, Unicamp e UFRN, empresas e agências de fomento do Brasil e da Finlândia –, cujas pesquisas devem resultar em soluções que possam ser utilizadas pelo setor produtivo que atua em atividades florestal, química, de petróleo e biomassa.

Os filmes biodegradáveis, películas finas comestíveis ou não preparadas a partir de materiais biológicos e até rejeitos da indústria alimentícia, foram os destaques da entrevista realizada com Carla Saraiva Gonçalves, mestre e doutoranda em Ciência dos Alimentos e professora da Universidade Federal de Viçosa, e com Márcio de Andrade Batista, doutorando em engenharia mecânica, mestre em engenharia química e professor da Universidade Federal de Mato Grosso. “Já pensou em colocar uma pizza no forno sem precisar retirar a embalagem plástica?”, questionou a docente. “O filme ou película que a envolve pode ser composta por tomate e, ao ser aquecida, se incorpora à pizza, fazendo parte da refeição. Esse material já existe e foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, que produziram películas comestíveis de diferentes alimentos, como espinafre, mamão, goiaba e tomate. A Unicamp também já desenvolveu filmes comestíveis.”

Segundo Carla, os materiais têm características físicas semelhantes às dos plásticos convencionais, como resistência e textura, e igual capacidade de proteger alimentos. O fato de poderem ser ingeridos abre um imenso campo a ser explorado pela indústria de embalagens.

“Acredito que em breve as embalagens vacuum forming possam utilizar biofilmes comestíveis”, opinou Batista. “As com cascas de babaçu e cascas de castanha-de-baru podem ser novidades interessantes e de boas aplicações futuras.”

Outra novidade foi comentada por Gobbo Junior. São as Intelligent Tags, usadas para mensurar a temperatura acumulada e o tempo de exposição do produto e da embalagem à determinada temperatura, da produção ao consumo. Já a engenheira de alimentos citou a injeção digital e uma série de novas possibilidades na impressão digital para tubos, potes e garrafas. E o livre-docente finalizou que o Estado da Arte no setor é o uso de grafeno, bioplásticos e polímeros biodegradáveis com características de barreiras de qualidade superior, tecnologias de impressão de circuitos e nanotecnologia. “Muitos desses exemplos não têm aplicações comerciais ainda, mas em breve veremos sistemas de embalagem/produtos advindos dessas tecnologias”, disse.

De acordo com Carla, o desenvolvimento de materiais para embalagem de alimentos é a categoria de destaque das aplicações da nanotecnologia. Porém, compartilha a ideia de autores de que a produção de nanopartículas e de materiais nanoestruturados em escala industrial traz consequências imprevisíveis quando comparada aos métodos tradicionais. O que se descobriu ainda é considerado insuficiente para contato com o meio ambiente e o corpo humano.

Há quem diga que o principal nessa área não são as tecnologias, mas sim o pensamento racional do uso/reúso das embalagens. Na visão de Diego Fettermann, doutor e professor de engenharia de produção da Universidade Federal de Santa Catarina, práticas de aproveitamento, redução de matéria-prima e peso e reciclagem são as principais necessidades da área atualmente.

O futuro
Na visão de Gobbo Junior, para a melhora da indústria de embalagens, é necessário ter uma visão holística, considerando uma alteração de perspectiva de fornecedor de commodities para provedor de novas oportunidades e soluções.

Fettermann completou que a indústria de embalagem deve estar integrada ao projeto do produto e da logística de forma a otimizar o processo de produção e distribuição, combinando com o conhecimento das necessidades do consumidor final. Assim, a embalagem deve ser pensada de forma integrada.

Quanto à mão de obra, Silva informou que a formação qualificada ainda é escassa. “A curva de aprendizagem dura anos, o domínio tecnológico é desenvolvido no trabalho, são poucos especialistas que atuam na área, sendo comum a formação no exterior; e as competências necessárias envolvem vários conhecimentos, por exemplo, materiais, desenvolvimento de produtos, automação de processos e legislações”, justificou, deixando um alerta para as instituições de ensino, nas áreas de graduação, pesquisa e pós-graduação.

Dever de todos

Há quem diga que o principal nessa área não são as tecnologias, mas sim o pensamento racional do uso/reúso das embalagens. Na visão de Diego Fettermann, doutor e professor de engenharia de produção da Universidade Federal de Santa Catarina, práticas de aproveitamento, redução de matéria-prima e peso e reciclagem são as principais necessidades da área atualmente.

  • Para moderar o consumo de água e/ou energia, em primeiro lugar deve-se reciclar as embalagens.
  • Aperfeiçoar ou substituir os processos, focando também: redução e reutilização.
  • Estabelecer metas de consumo diário/semanal/mensal e fiscalizar.
  • Sugestão da profa. Carla Gonçalves, da Universidade Federal de Viçosa, é trocar embalagens de alumínio pelas de aço. A produção consome menos água e energia quando comparada com a de outros materiais, e a decomposição leva em média cinco anos, sem comprometer o solo. É 100% reciclável, sem que o aço perca as propriedades.
  • Aumentar a produção do refil para conservar a embalagem original.
  • Evitar desperdício. A embalagem inadequada pode causar prejuízo ao produto interno, que pode ser destruído devido à falta de proteção correta. Nesse caso, o produto e a embalagem são desprezados. Do ponto de vista ambiental, é melhor otimizar o sistema de embalagem.

 

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