Sem inovar e agregar valor aos produtos, País compromete seu crescimento econômico, alerta Anpei

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“Ou o setor produtivo brasileiro aumenta o nível tecnológico agregado aos seus produtos e serviços, ou continuaremos a depender das commodities para sustentar nosso crescimento econômico. É urgente uma política industrial que aumente a densidade tecnológica embutida nos produtos das principais cadeias produtivas brasileiras”. De forma resumida, esta é a principal advertência tirada da XI Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que reuniu nada menos que 1.700 pessoas entre líderes empresariais, pesquisadores e técnicos no mês passado em Fortaleza.

Os debatedores lembraram que nossa pauta de exportação voltou a ter uma composição predominantemente de produtos primários, justificando a necessidade premente de se investir no desenvolvimento tecnológico das diversas cadeias produtivas. Nesse sentido, foram citadas com exemplos bem sucedidos as áreas de petróleo, plástico e fruticultura, nas quais há uma agregação de valor que pode chegar a 10 vezes ao longo da cadeia. É essa dinâmica, que gera benefícios para as empresas e toda a sociedade, que precisa ser replicada em outras cadeias, salienta a “Carta de Fortaleza”, documento redigido após o encontro e que está sendo enviado às autoridades, assim como toda a comunidade da cadeia da inovação.

Para se atingir esse objetivo, os participantes da Conferência de Fortaleza concluíram que são necessários incentivos que estimulem a sustentabilidade e a cooperação entre as empresas e também entre o setor privado e as universidades, de forma a priorizar o desenvolvimento integrado das cadeias produtivas. Ressaltaram, porém que isso deve ser feito paralelamente a um cenário de valorização das commodities, que tende a ser crescente em nível mundial por um bom tempo.

Além do estímulo à inovação nas cadeias produtivas, a “Carta de Fortaleza” também preconiza programas governamentais para a formação de consórcios de empresas para a realização de pesquisas. É assim, segundo os analistas, que são formadas e estimuladas as redes de inovação. No mesmo sentido, a Carta sustenta a necessidade de programas de apoio à internacionalização de empresas, de forma a fortalecer a competência de gestão, em particular a gestão da inovação. Por fim, defendem também ampliação no marco legal, de forma a incluir mais empresas beneficiadas nos programa de incentivos fiscais à inovação.

A “Carta de Fortaleza” foi redigida por um colegiado de especialistas que participa dos diversos comitês temáticos e setoriais da Anpei. Sua íntegra pode ser acessada aqui.

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