Populismo verde: ouça o silêncio 6 | Produção e Consumo Sustentáveis

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O glorioso mercado, que compra cada vez menos e remunera cada vez pior, está abarrotado de iniciativas “sustentáveis”. As empresas procuram ir além do cumprimento das regulamentações ambientais, de saúde e de segurança, na crença de que, quanto mais sustentável, maior sua lucratividade. Cresce o uso de Bancos de Práticas de Responsabilidade Social e Sustentabilidade: inventários de gases causadores do efeito estufa (GEE), redução do consumo de material de expediente (controlamos até o consumo de copos descartáveis), energia elétrica, água, combustíveis, gestão ambiental de resíduos sólidos, compras sustentáveis de quem preserva a natureza, plantio de milhares de árvores para neutralizar as emissões de GEE, dando a sensação de que tudo é ambientalmente correto.

Mas, na contramão, continuamos importando maciçamente insumos, produtos e equipamentos dentro da visão de compra mais vantajosa baseada em preço, em detrimento daquela baseada em custo, considerando o ciclo de vida do produto. Mesmo que isso signifique exportar resíduos, degradação ambiental, perda da cobertura vegetal, mais contaminação, uma conta energética maior, mais gastos em saúde e perda de biodiversidade no país de origem desses importados.

Dar preferência aos produtos similares nacionais com maior agregação de valor social e ambiental, eliminando a assimetria fiscal na importação, é uma ação afirmativa de ética com o planeta e com a sociedade brasileira, transformando o ato de consumo em um verdadeiro ato positivo de solidariedade, cidadania e soberania nacional.

Posts da série:

Populismo verde: ouça o silêncio 1

Populismo verde: ouça o silência 2 | Código Florestal

Populismo verde: ouça o silência 3 | Mudanças Climáticas

Populismo verde: ouça o silência 4 | Sacolas Plásticas

Populismo verde: ouça o silência 5 | Programas corporativos de qualidade de vida e sustentabilidade

Populismo verde: ouça o silência 7 | Conclusões

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.

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