Populismo verde: ouça o silêncio 3 | Mudanças climáticas

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O Brasil tem potencial para ser uma liderança na nova economia verde e de baixo carbono porque possui abundante capital natural, megabiodiversidade, sociodiversidade, matrizes energética e elétrica predominantemente renováveis, inflação sob controle (ainda), ambiente democrático, mobilidade social das populações menos favorecidas, uma política nacional de mudanças do clima e outros tantos aspectos motivo de orgulho nacional.

Já quando se fala em garantir o direito inalienável de o Brasil agir para a elevação dos padrões de consumo da população para elevar o seu padrão de vida, isso soa como heresia. O acesso a alguns serviços públicos e a certas formas de riqueza depende do aumento do consumo para atender as necessidades e aspirações básicas de desenvolvimento humano dos brasileiros, implica em aumentar o uso de recursos naturais (renováveis ou não). É imprescindível assegurar uma transição justa e socialmente aceitável para a nova economia verde e de baixo carbono, defendendo a competitividade e desenvolvimento da nossa base industrial e vantagens comparativas, com prioridade para o combate à pobreza.

É dada grande atenção às ações de mitigação (redução de emissões). Mas o que dizer das ações e investimentos voltados para adaptação às mudanças climáticas? Vivemos uma combinação das anomalias climáticas cíclicas, El-Niño-La Niña, muito rigorosas, que produzem exacerbação dos fenômenos climáticos e desastres naturais e humanitários reais.

Ser precavido é preparar-se para enfrentar o pior com o mínimo possível de perdas. Concretude nas ações de governança climática? Basta conferir os orçamentos públicos e das grandes corporações para medidas de adaptação às mudanças climáticas.

Já garantir que os mecanismos de incentivo financeiro para uma economia verde de baixo carbono estejam disponíveis antes do cumprimento das metas soa como um sonho. Inovação tecnológica é a única rota para desenvolvimento sustentável. Isso exige um compromisso de ação sobre o financiamento nacional e internacional, de tecnologia necessária ao desenvolvimento sustentável.

Posts da série:

Populismo verde: ouça o silêncio 1

Populismo verde: ouça o silência 2 | Código Florestal

Populismo verde: ouça o silência 4 | Sacolas Plásticas

Populismo verde: ouça o silência 5 | Programas corporativos de qualidade de vida e sustentabilidade

Populismo verde: ouça o silência 6 | Produção e consumo Sustentáveis

Populismo verde: ouça o silência 7 | Conclusões

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP. 

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