Economia, Meio Ambiente

Política Nacional de Resíduos Sólidos: ideias de implantação e linhas de financiamento

março 21, 2013
Tempo de leitura 4 min

Ideias sobre como implantar a logística reversa na indústria brasileira e linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES para atender as novas demandas marcaram o Simpósio de Adequação da Indústria à Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei 12.305), promovido pela Blue Ocean em parceria com NEI Soluções, que foi realizado entre 18 e 19 de março, no Quality Berrini, em São Paulo.

“Essa história de resíduos sólidos não é o apocalipse. A verdade é que, por enquanto, o governo não exerceu sua função. Ainda não impôs suas ideias para as coisas começarem a andar”, comenta Lucien Belmonte, superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro – Abividro.

Para Belmonte, o Brasil precisa se espelhar em ideias internacionais, como as implantadas em Israel e Austrália. “Esses países enfrentaram o problema, começando pelo mercado de bebidas. Lá existem pontos de descarte de garrafas PET. Quando o consumidor dispensa o recipiente, o sistema lê o tipo de produto e devolve um tíquete de dez centavos. Nesses países o índice de reciclagem chega a 90%”, diz.

O superintendente também sugeriu a centralização dos custos de reciclagem da indústria brasileira. Nesse caso, uma empresa de reciclagem seria responsável por todo o processo de logística reversa. “No segmento de vidro, por exemplo, a logística reversa custaria cerca de R$ 50,00 a mais por tonelada, que seriam repassados para a gerenciadora cuidar das neutralidades, dos processos”, comenta.

Para exemplificar a situação atual da logística reversa no Brasil, Belmonte lembrou uma parábola de origem judaica que explica a diferença entre o paraíso e o inferno. Segundo o conto, um rabino foi convidado por Deus para conhecer o céu e o inferno. Deus o levou primeiro ao inferno. Chegando lá, viram no centro de uma sala um caldeirão com uma suculenta sopa. À sua volta estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas. Cada uma delas segurava uma colher de cabo tão longo, que até era possível alcançar o caldeirão, mas não a própria boca. O sofrimento era intenso.

Em seguida, Deus levou o rabino para conhecer o céu. Entraram em uma sala idêntica à primeira. Havia o mesmo caldeirão, a tal sopa suculenta e as mesmas colheres de cabo longo. A diferença era a satisfação das pessoas. Então o rabino questionou Deus, dizendo que não compreendia por que as pessoas no céu estavam tão felizes, enquanto as outras no inferno morriam de aflição. Deus sorrindo respondeu: é porque aqui elas aprenderam a dar comida umas as outras.

“Ou seja, o Brasil já tem as ferramentas e as ideias necessárias, mas o trabalho coletivo será de extrema importância para o sucesso da implementação da logística reversa”, finaliza Belmonte.

Outro destaque no simpósio foi a apresentação de Márcio Macedo Costa, chefe de departamento de meio ambiente do BNDES. Ele expôs as principais – e tradicionais – linhas de financiamento do banco, como a Finem, Linha de Inovação, BNDES Automático, Finame e Cartão BNDES. “Mas a grande novidade é a linha Fundo Clima”, revela.

Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o programa Fundo Nacional sobre Mudança do Clima – Fundo Clima objetiva apoiar a implantação de empreendimentos, a aquisição de máquinas e equipamentos e o desenvolvimento tecnológico relacionados à redução de emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças do clima.

Com orçamento disponível de R$ 560 milhões, hoje o programa contempla seis sub-setores: Modais de transporte eficientes, Máquinas e equipamentos eficientes, Energias renováveis, Resíduos com aproveitamento energético, Carvão vegetal e Combate à desertificação.

Segundo o chefe de departamento do meio ambiente do BNDES, em breve entrará o subsetor Logística reversa. “Estamos aguardando apenas a aprovação do Conselho Monetário Nacional e do Ministério da Fazenda”, diz, indicando ainda o site do BNDES para o interessado conhecer as taxas e os prazos de cada linha de financiamento.

Na ocasião, foi apresentado o caso sobre logística reversa envolvendo a Embratel, os Correios, a Prac e a Silcon Ambiental por Alvaro Goulart, gerente de segurança empresarial da Embratel. Os Correios queriam devolver à Embratel os nobreaks em desuso em suas agências espalhadas por todo o Brasil. Os equipamentos foram fabricados para atender apenas as necessidades dos Correios. A Embratel teria custos para armazenar em um único lugar as 2.500 unidades. Também estava ciente de que não poderia descartar esses produtos. Então, a opção foi devolvê-los à indústria.

Firmou as parcerias e deu início ao trabalho. Os Correios ficaram responsáveis pelo transporte. As baterias foram encaminhadas à Prac. Os demais produtos foram levados à Silcon Ambiental, em São Paulo, que ficou responsável pelo armazenamento, desmontagem, separação, trituração e venda dos materiais (plásticos, papéis e metais) para a indústria. Os não recicláveis, como madeiras, adesivos e feltros, foram destinados à geração de energia.

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