Os riscos na Indústria de Petróleo e Gás

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Durante a conferência Deepwater Brazil Forum, realizada em 2010 pelo IQPC, Denise Faertes, ex-gerente de confiabilidade da Petrobras e assessora da Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia, falou sobre os riscos existentes na Indústria de Petróleo e Gás.

Denise iniciou sua palestra com a impactante frase de um sobrevivente da maior tragédia ambiental da história norte-americana. Em 20 de abril de 2010, a plataforma Deepwater Horizon, de propriedade da Transocean e arrendada à British Petroleum, explodiu no Golfo do México. O vazamento provocado pelo choque só foi estancado meses depois. Como saldo negativo da tragédia, 11 pessoas morreram e o ecossistema local foi seriamente prejudicado.

“Os alarmes que poderiam prevenir vazamentos de gás falharam; eles foram desativados por inibidores de alarmes falsos”, disse à época Michael Williams, técnico que trabalhava na plataforma e que sobreviveu ao acidente. 95 dias após a tragédia, Richard Godfrey, advogado da British Petroleum, veio a público e informou que uma auditoria realizada um ano antes havia detectado problemas nos alarmes de incêndio e nas bombas refrigeradoras, o que aguçou a hipótese de que o mega-acidente tenha sido ocasionado por uma falha humana.

Hoje em dia, as empresas operam em ambientes cada vez mais perigosos. Ao mesmo tempo, a sociedade vem adotando uma política de “tolerância zero” a falhas e a demanda por transparência cresce gradativamente. Assim, como uma empresa deve agir em casos de grande impacto como o de 2010?

É nesse contexto que está inserido o gerenciamento de riscos. Para Denise Faertes, é inevitável assumir riscos para ganhar vantagens nos negócios, mas também é fundamental trabalhar para evitar ameaças e suas consequências. Mas como impedir essas ameaças?

  1. Estabelecer procedimentos formais e documentados para identificar e avaliar riscos que possam interromper suas atividades;
  2. Identificar sistematicamente os processos, sistemas, infraestrutura, pessoas, parceiros externos e outros recursos que suportem os negócios;
  3. Identificar fontes de risco;
  4. Sistematicamente analisar o risco, vulnerabilidade, criticidade e consequências (impactos);
  5. Sistematicamente analisar e priorizar dispositivos para o tratamento e controle de riscos e custos associados;
  6. Determinar a tolerância ao risco (da companhia ou autoridade) e a necessidade de mitigar os riscos identificados.

Outros dois pontos importantes levantados pela especialista foram: como os cenários que envolvem risco e que podem ser identificados de forma antecipada vêm sendo tratados? E a confiabilidade? Denise apresentou uma pesquisa publicada em 2005, que revelou que em 33% dos acidentes algum dos pontos citados foi violado. Logo atrás vieram:

  • Erro humano (28%)
  • Falhas em equipamentos (27%)
  • Falha de projeto (12%)

Como podemos observar, o índice de falhas humanas nesses casos é consideravelmente alto. Mas por quê? Denise Faertes aponta três pontos-chave: complexidade dos sistemas, variabilidade e necessidade de inúmeros ajustes e trabalho humano intensificado. Diante deste cenário, o que pode ser feito para evitar novas tragédias?

  1. Identificar fatores críticos de segurança;
  2. Compreender o contexto e o desempenho em panoramas normais e em panoramas de falha;
  3. Se antecipar a eventos indesejados;
  4. Melhorar a análise de eventos significativos (análise de causa raiz);
  5. Minimizar interferências;
  6. Minimizar o número de alarmes;
  7. Acelerar o treinamento e a contratação de operadores através de ferramentas adequadas (ex. simuladores);
  8. Identificar pontos a atuar no contexto, que produzam impacto no trabalho (conflitos, políticas de RH, turnos, etc.);
  9. Treinamento coletivo para cenários emergenciais;
  10. Simuladores 3D

Este ano, o Pre-Salt & Deepwater Brazil Fórum acontecerá nos dias 16, 17 e 18 de agosto, no Rio de Janeiro.

Para mais informações e inscrições, clique aqui .

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