Medida excepcional ou política permanente

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Que pena! No final de 2009, essa foi uma expressão possível para descrever a reação unânime, mas igualmente diplomática, da indústria diante da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central – Copom de manter em 8,5% a taxa Selic.

Para CNI, Fiesp, Abimaq/Sindimaq, CUT e Força Sindical foi uma oportunidade perdida de estimular o desenvolvimento econômico. Afinal, com inflação prevista na casa dos 4,5% para 2010, e com a maioria dos países praticamente zerando suas taxas reais de juros, a manutenção da Selic, entendeu a indústria, limitava seriamente o investimento.

Diante de um Banco Central que mostrou competência e agilidade na superação da crise financeira e de um governo que exibe, após dois mandatos, uma inédita e quase incrível aceitação popular, seria politicamente incorreto aprofundar a crítica.

Em novembro e dezembro, contudo, a crítica começa a produzir seus resultados. O ministro da Fazenda assume a preocupação com o investimento e, em diferentes oportunidades, anuncia medidas que podem eliminar alguns de seus gargalos.

O próprio crescimento econômico de 5%, projetado para este e para os próximos anos, expandindo a demanda, pedia uma expansão paralela da produção. A falta de sintonia entre crescimento e produção resultaria forçosamente na revisão para mais da taxa de inflação.

Nessa linha de raciocínio, o Ministério da Fazenda aumentou de forma importante as renúncias fiscais este ano, agora no patamar de R$ 5,5 bilhões. As desonerações do IPI que incidiam sobre bens de capital foram prorrogadas. Igualmente prorrogados os créditos subsidiados para investimentos concedidos pelo BNDES, cujo caixa foi reforçado em R$ 80 bilhões.

Neste início de 2010, contudo, a indústria pode repetir o refrão do final de 2009 – “Que pena!”, porque o governo perdeu a oportunidade de transformar remédios excepcionais em política de Estado.

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