Dados da ABIQUIM apontam recorde no consumo aparente nacional

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Os principais índices de volume do segmento de produtos químicos de uso industrial tiveram resultados positivos em agosto de 2011: produção +2,47% e vendas internas +9,84%.

Tradicionalmente, agosto é um mês de volumes bons no setor, sobretudo em razão de formação de estoques para atendimento da demanda de final de ano, que normalmente cresce entre os meses de setembro e outubro. No entanto, na comparação com agosto do ano passado, os dados deste ano são negativos. Com relação ao índice de preços, após cinco elevações consecutivas, o segmento vem registrando deflação nos últimos dois meses, com resultado de -3,15% em agosto. Tal fato decorre da queda de preços no mercado internacional, parte atribuída à redução da demanda mundial, mas uma parte também pode ser justificada pelo novo cenário de ganhos de competitividade no mercado americano, com o advento do shale gas. O gás nos Estados Unidos, que custa atualmente um terço do preço praticado no Brasil, está motivando a retomada de plantas que haviam sido paralisadas no passado, bem como atraindo novos investimentos.


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Apesar da melhora recente, na média de janeiro a agosto de 2011, sobre igual período do ano passado, o índice de produção apresentou declínio de 4,34% e o de vendas internas teve queda de 3,59%. Nos primeiros oito meses deste ano, as empresas trabalharam com ociosidade elevada, uma vez que o índice de utilização da capacidade instalada foi de apenas 79%, quatro pontos abaixo de igual período do ano passado. Para um segmento que opera na maioria dos casos em processo contínuo, esse nível de produção é preocupante. Quanto ao índice de preços, houve elevação de 14,86% nos primeiros oito meses do ano, comparado com igual período do ano passado. Na análise dos últimos 12 meses, encerrados em agosto, sobre igual período imediatamente anterior, o índice de produção foi negativo em 2,21% e o de vendas internas teve recuo de 0,47%.

A boa notícia, no entanto, é que o País continua demandando produtos químicos e o reflexo disso está no consumo aparente nacional (CAN) dos produtos amostrados no RAC, que alcançou recorde histórico em agosto de 2011, crescendo expressivos 14,1% sobre o mês anterior. Vale registrar que as importações dessa mesma amostra de produtos, em volume, subiram 35,5% em agosto na comparação com julho. De janeiro a agosto de 2011, sobre igual período de 2010, o CAN cresceu 10,2%.

No entanto, como houve recuo da produção, todo o incremento na demanda interna foi atendido por acréscimos na parcela de importação, cujo volume subiu expressivos 36,7% na mesma comparação. A questão da apreciação do real frente ao dólar, combinada com a situação internacional mencionada e com o custo Brasil, está favorecendo as importações.

Há fortes indicações de que o segmento deverá registrar novo recorde no seu já elevado déficit, que pode superar US$ 25 bilhões neste ano. Essa situação irá pressionar muito a balança de pagamentos do Brasil. Para reverter esse quadro, o setor carece de medidas de longo prazo que venham a estimular a produção atual em bases competitivas com os seus principais concorrentes no mercado internacional, além de destravar investimentos.

Uma dessas medidas diz respeito à adoção de uma política para o uso do gás natural como matéria-prima, já prevista na lei do gás. Não se pode deixar de mencionar que a química tem a capacidade e o poder de agregar valor, transformando matérias-primas (ou commodities) em produtos de elevado conteúdo e que, nesse processo, há um forte efeito multiplicador sobre a economia. Não é coincidência que não existe nenhuma economia desenvolvida sem uma química de base também forte.

Fonte: ABIQUIM – RAC – Relatório de Acompanhamento Conjuntural

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