Cresce compra de máquinas da China e União Europeia. EUA perdem espaço

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A indústria brasileira deixou de comprar principalmente de norte-americanos e japoneses para comprar mais produtos de europeus e chineses. De janeiro a julho de 2013, a cada três dólares investidos no exterior pela indústria nacional, um foi para União Europeia – UE. Já os chineses, venderam 17% a mais para o Brasil nos primeiros sete meses do ano. Alta do dólar frente a outras moedas e, principalmente, o esforço chinês em aumentar a produção de maquinário de maior valor agregado explicam a mudança na escolha dos fornecedores estrangeiros.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Mdic, as importações totais do setor de máquinas e equipamentos mecânicos cresceram 3% e somaram US$ 20,8 bilhões, na comparação entre janeiro a julho deste ano com o mesmo período de 2012. As importações procedentes da União Europeia, principal fornecedora estrangeira (33%), aumentaram 10,9% no período. Os chineses venderam US$ 4,9 bilhões, o que representa 3% de aumento no período, subindo para 23,5% a presença total nas compras brasileiras do setor. O resultado coloca a China como o segundo maior fornecedor do Brasil, desbancando os Estados Unidos, que, mesmo vendendo 7,5% mais, diminuíram para 18,9% a participação no mercado brasileiro. O Japão também apresentou resultado negativo, com recuo de 35%.

Segundo Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – Iedi, a ascensão chinesa afeta principalmente os Estados Unidos e indiretamente as exportações brasileiras. “Está havendo hoje no mundo uma disputa muito forte entre os grandes produtores de bens de capital. Os Estados Unidos perderam um pouco de espaço para a China e para a União Europeia nesse setor, o que mostra algo ruim para a nossa indústria, quando se pensa em aumentar as exportações: a competição está muito forte”, afirma.

De acordo com Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – Funcex, a China mudou a matriz de sua indústria e avançou na direção de produtos de maior valor agregado. Segundo ele, a alta dos custos com insumos e salários fez a indústria antiga, mais intensiva em mão de obra, começar a migrar para Vietnã e Bangladesh. Agora, quanto mais a China sobe na cadeia de tecnologia, mais competitiva fica em relação aos grandes centros. “Hoje, eles conseguem produzir mais barato produtos similares feitos por Japão e Estados Unidos”, avalia. Já aceleração da União Europeia acontece em produtos específicos e em partes de máquinas ligadas a bens de capital, segundo o economista.

China e União Europeia são os principais fornecedores do Brasil
China e União Europeia são os principais fornecedores do Brasil

Bens de capital
Ao focar nas importações somente de bens de capital, de acordo com dados da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos – Abimaq, a União Europeia, principalmente a Alemanha, perde espaço para a China, que cresce continuamente. Em 2007, a China era responsável apenas por 8,2% das importações brasileiras. Neste ano, até julho, a fatia representa 17,2% ou o título de segundo maior fornecedor do Brasil. “Em volume, a China não tem mais para onde crescer no Brasil. A briga se dá agora não tanto por preço, mas pela qualidade. Quando você precisa produzir um avião, não se olha o preço da máquina, pois existem poucas. Mas para uma indústria de confecção, o preço é o determinante para a escolha do fornecedor”, avalia Mario Bernardini, assessor econômico da Abimaq. Nesse segmento, os Estados Unidos continuam sendo os principais fornecedores do Brasil, com 25% de participação no mercado.

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