Consumir com eficiência energética, pagar menos e preservar o meio ambiente: Smarts Grids, a visão das redes elétricas do século XXI Sustentabilidade e Lucro nas Indústrias I

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A sua indústria quer salvar o planeta? Ao mesmo tempo quer manter a produtividade, pagar menos pelo consumo de energia elétrica e, além disso, alinhar-se a uma rede de sustentabilidade ambiental? Então precisa conhecer o Smart Grids. Para alguns, este tema ainda é pouco conhecido, mas, para os especialistas da área, é uma realidade a ser pesquisada e comprovada. Em alguns lugares do mundo essa realidade já se faz presente, podendo-se verificar os resultados e as lições aprendidas. No Brasil, os órgãos e as empresas responsáveis pelo setor energético já estão investindo em pesquisa para o desenvolvimento de rede de energia elétrica mais inteligente. Assim, conhecer e saber escolher o melhor modelo para administrar o consumo de energia elétrica em uma indústria pode ser estratégico para o bolso e para o meio ambiente! Sustentabilidade e lucro com eficiência.

A questão energética é um dos desafios mais importantes que temos pela frente e tem se tornado uma questão impostergável. Temos presenciado nos últimos anos muitos avanços tecnológicos importantes nessa área, com o objetivo de desenvolver uma matriz energética mais equilibrada e amigável com o meio ambiente.

A nossa rede elétrica surgiu no início do século XIX, na Europa, e, logo depois, nos Estados Unidos, sendo conhecida tradicionalmente pelo trinômio GTD (geração, transmissão e distribuição). O sistema de distribuição de energia elétrica como um todo recebeu recentemente um ator adicional, representado pela letra “C”, de comercialização. Trata-se de um ambiente virtual, onde acontece a compra e a venda de energia elétrica entre os agentes. Mas esta rede elétrica, como a conhecemos atualmente, tem vários problemas que precisam ser resolvidos. Para evidenciar alguns destes problemas só precisamos voltar meses atrás e lembrar o blecaute sofrido no País, que atingiu a maioria dos Estados e alguns países vizinhos.

Com o objetivo de atacar esses problemas surge, no final do século XX, o conceito de Smart Grid. Este conceito dificilmente pode ser definido em uma única frase, pois aborda uma nova visão das redes elétricas do futuro.

Essa visão está focada em conseguir melhorias nas seguintes seis áreas:

  • Meio Ambiente: deve ser mais amigável com o meio ambiente, reduzindo impactos ambientais indesejados, melhorando a eficiência e permitindo a integração de uma grande porcentagem de novas fontes de energia sustentável.
  • Disponibilidade: a nova rede deve ter alta disponibilidade, ou seja, prover energia quando e onde os consumidores necessitam e com a qualidade preestabelecida. Também contar com um amplo sistema de alarmes, que permita detectar os problemas sem chegar na falha. Tomar ações corretivas antes que a maioria dos consumidores seja afetada.
  • Resistência: deve oferecer maior resistência, tanto contra ataques físicos como cibernéticos, sem sofrer blecautes massivos ou altos custos de recuperação. Deve ser menos vulnerável a desastres naturais e se recuperar rapidamente de problemas.
  • Economia: deve ser mais econômica, operar baixo as regras de oferta e demanda, conseguindo preços mais justos e um serviço adequado.
  • Eficiência: deve ser mais eficiente, empregando estratégias de controle de gastos, perdas mínimas de transmissão e distribuição, produção eficiente e utilização ótima dos ativos, provendo aos consumidores opções para administrar o consumo de energia.

Entre os principais pontos a serem considerados na visão Smart Grid, estão:

  • Participação ativa dos consumidores. A Smart Grid deve prover os consumidores de informação, controle e opções, para estes se envolverem no mercado. Estes consumidores, melhor informados, têm a habilidade de mudar os hábitos de consumo, balanceando suas demandas e recursos, com as capacidades da rede elétrica para suprir essas demandas.
  • Fácil utilização de mecanismos de armazenamento e geração. Isso significa integrar todo tipo e tamanho de sistema de geração e armazenamento de energia utilizando processos simples de interconexão e padrões de interoperabilidade que suportem “plug and play”, facilitando, assim, a integração de novas fontes de energia limpa e diminuindo a utilização de tecnologias ecologicamente agressivas.
  • Permitir novos produtos, serviços e mercados. A Smart Grid conectará compradores e fornecedores, desde a oficina de transmissão regional até os clientes, e suportará a criação de novos mercados de energia elétrica, de sistemas de gestão de consumo nas próprias casas dos consumidores até tecnologia que permitirá a consumidores e terceiros oferecerem seus recursos de energia elétrica para o mercado.
  • Prover energia de qualidade para a economia digital. Deverá monitorar, diagnosticar e responder a deficiências de qualidade de energia, reduzindo dramaticamente as perdas nos negócios experimentadas pelos consumidores, devido a insuficiências de qualidade na energia. A Smart Grid vai prover níveis de qualidade diferentes a preços diferentes.
  • Otimização dos ativos que conformam a rede aumentando a eficiência operacional. A Smart Grid poderá melhorar as cargas do sistema, a administração das interrupções no sistema elétrico e diminuir as perdas. A disponibilidade de maior inteligência na rede dará condições para que planejadores e engenheiros realizem intervenções quando necessário, aumentando a vida dos ativos, reparando os equipamentos antes de terem falhas inesperadas.

Existem vários projetos-piloto sendo executados em bairros, cidades e até países ao redor do mundo.

Acompanhe o próximo post para conhecer alguns!

Crédito: artigo escrito por Ana Paula Arbache, sócia diretora da Arbache Consultoria e responsável pelas ações de gestão de pessoas, cidadania corporativa, sustentabilidade ética, social e ambiental.

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