Energia, Meio Ambiente

Conservação de Energia: Quando Menos é Mais

setembro 24, 2010
Tempo de leitura 4 min

A competitividade da indústria reside na capacidade de ações estratégicas e nos investimentos em inovação de processo e de produto, que considera também a eficiência energética entre os fatores associados à preservação, renovação e melhoria das vantagens competitivas dinâmicas.

O desperdício de energia é um sinal do uso improdutivo de recursos naturais e requer uma honesta comparação em relação as melhores práticas vigentes técnica e economicamente viáveis e a decisão de se fazer alguma coisa a respeito. Entre as oportunidades estão a redução de custos de até R$ 250,05/MWh ou até R$ 6.396,50/tep; receita não operacional da venda de excedente de energia contratada de até R$ 120,00 no mercado livre quando aplicável e potencial benefício de aumento de mercado para clientes que valorizem compras sustentáveis (verdes). Em contrapartida, a má gestão dos contratos de fornecimento de energia elétrica, por exemplo, a ultrapassagem da energia contratada no horário de ponta pode custar até R$ 1.521,25/MWh.

O Brasil possui Programas maduros (PROCEL, CONPET, Programa Brasileiro de Etiquetagem – PBE/INMETRO, Selo de Eficiência Energética, Lei de Eficiência Energética n° 10.295/01 que estabelece índices mínimos de eficiência energética ou máximos de consumo específico) e de grande abrangência. Existe legislação favorável, mas que ainda carece de novos instrumentos.

A Nossa Caixa Desenvolvimento (Agência de Fomento do Estado de São Paulo) lançou a Linha Economia Verde: Financia ações de eficiência energética: Redução de perdas na produção e transmissão de energia elétrica; isolamento de tubulações; sistemas de recuperação de calor; instalação de equipamentos que reduzam o consumo energético; melhoria de sistema de iluminação e refrigeração.

Há um imenso potencial de Eficiência Energética ainda a ser explorado. Ela já é feita naturalmente pela indústria através de ações determinadas pelo mercado competitivo e financiados pelas próprias companhias. Entre elas destacamos:

i) Enfoques da E.E. no projeto, especificação dos equipamentos, da especificação da compra, da instalação e operação;

ii) Conscientização e capacitação;

iii) Substituição de dispositivos de refrigeração, força motriz e iluminação por outros mais eficientes; iv) Adoção de sistemas de automação (motores e iluminação);

v) Troca do insumo energia elétrica por energia solar para aquecimento de água;

vi) Reaproveitamento de energia em dissipação. Exemplo: uso de energia térmica do ar condicionado para pré-aquecimento de água;

vii) Utilização de técnicas de reuso, captação de águas pluviais e autoprodução;

viii) Modernização dos sistemas de força motriz; e

ix) A economia de eletricidade conseguida por meio da arquitetura bioclimática pode chegar a 30% em edificações já existentes (se passarem por readequação e modernização) e a 50% em prédios novos, que contemplem essas tecnologias desde o projeto.

Igualmente existem oportunidades associadas à regulamentação das políticas de mudanças climáticas:

i) Utilização dos benefícios do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, para estimular a implementação de ações e programas nacionais de eficiência energética;

ii) Incentivos fiscais para a produção e a comercialização de equipamentos mais eficientes;

iii) Programa de incentivo ao uso de aquecimento solar para substituir chuveiros elétricos;

iv) Programa de substituição de refrigeradores;

v) Implementação do programa nacional de aquecimento solar; e

vi) Implementação de um plano de compras governamentais sustentáveis.

Porém, são necessárias ações complementares que requerem financiamento público para cobrir “falhas de mercado”. Políticas públicas podem estimular maiores investimentos privados em E.E. removendo barreiras de mercado, mas precisam estar dentro de limites considerado satisfatório/economicamente viável para a sociedade.

Outro grande desafio está no consumo consciente, onde o consumidor se sobrepõe ao cidadão. Em tese ele não defende princípios éticos ou o cumprimento da lei de maneira ampla, e sim se limita a defender seus próprios interesses. O risco de prejuízos ou danos pessoais é que pode desestimular a compra ou o uso de produtos e serviços de baixa eficiência energética e mais baratos. Somente benefícios que realmente valoriza, incluindo o ganho financeiro (visão econômica de médio e longo prazo raramente influenciam sua decisão), podem levá-lo a comprar produtos e serviços energeticamente eficientes e mais caros.

Ser ecoeficiente através da conservação de energia, fazer mais com menor consumo energia (seja ela de origem renovável – preferencial ou não renovável) é parte da estratégia global de empreendedorismo sustentável para atender as necessidades essenciais da sociedade em uma economia de baixo carbono e escassez crescente de recursos naturais não renováveis. Na área socioambiental, o quilowatt mais eficiente é o que não consumimos.

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.

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