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Automação industrial ganha reforço da instrumentação inteligente

dezembro 3, 2014
Tempo de leitura 6 min

A indústria mundial, em seus diversos segmentos, passa por grande transformação devido à rápida evolução tecnológica. O impacto dessa mudança ocorre também na automação aplicada aos processos, possibilitando ganhos de qualidade, produtividade e segurança, além de redução de custos. Colabora para esse progresso o uso de instrumentação inteligente nos sistemas de controle e automação industriais, apontada como importante tendência por Carmela Maria Polito Braga, doutora em engenharia elétrica e professora do Departamento de Engenharia Eletrônica da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e por Galdenoro Botura Junior, doutor em engenharia elétrica e docente da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp. 

Segundo Carmela, esses instrumentos integram um único encapsulamento: um sensor (ou mais), um circuito de condicionamento analógico, um conversor ADC, um microprocessador e um barramento de interface. Todos eles, que já incluem funções de filtragem do sinal medido e disponibilizam a medida digitalizada em um padrão de rede digital, têm incorporadas novas funcionalidades, como autoteste, autoidentificação, autocalibração, autodiagnóstico e autovalidação.

A professora informou que as funções de autovalidação verificam, a cada intervalo de amostragem, se a medida efetuada “faz sentido”. Por exemplo, analisam se a medida se encontra dentro da faixa de medição do instrumento e/ou da faixa de operação usual e se possui a variabilidade típica da grandeza medida. Em caso negativo, pode-se solicitar um autoteste para verificar se a anomalia do valor indicado está associada a um problema no instrumento, medição ou a alguma alteração na variável do processo medida. Se for erro na medida, é possível tentar corrigi-lo com um procedimento de autocalibração ou executar o autodiagnóstico, reportando-o à manutenção. As mesmas funcionalidades foram incorporadas às válvulas inteligentes. Isso pode contribuir para uma ação pró-ativa da manutenção, por facilitar a detecção e a correção de possíveis problemas preventivamente, antes que impliquem uma parada de produção.

Para que esses recursos de inteligência incorporada à instrumentação tenham valor efetivo, Carmela disse ser preciso que o sistema de controle e automação faça uso dessas informações adicionais disponibilizadas, transformado-as em dados acionáveis tanto para a manutenção quanto para a operação do processo. Essa seção especial traz novidades para melhorar os processos fabris, pesquisadas pela Central de Geração de Conteúdo – CGC de NEI no Brasil e no mundo.

Perfil do profissional e mercado de trabalho
Devido à necessidade do rápido desenvolvimento do saber, é requerido do profissional autoaprendizagem, iniciativa e interesse por estudos que resultam na criação de melhores soluções. Para completar, é essencial pessoas tecnicamente capacitadas a desempenhar com produtividade e qualidade as funções de concepção, projeto, desenvolvimento e implantação de processos de controle e automação; e ainda solucionar problemas.

No Brasil, há demanda por profissionais de automação sobretudo nos grandes centros de negócios e onde as indústrias de base estão instaladas, como interior de diversos Estados e no Norte do País, informou a docente. “Já ouvi de diretores de empresas de automação que poderiam contratar mais, em determinados momentos, se houvesse mais profissionais com o perfil que procuram para essa área”, afirmou Carmela. E Botura Jr. completou: “Os alunos de Engenharia em Controle e Automação do Campus da Unesp de Sorocaba-SP estão praticamente todos empregados com salário inicial entre 5 e 6 mil reais”.

Porém, a professora informou que existe escassez de especialistas no Brasil, sendo mais intensa em algumas regiões. “Exemplo positivo é Minas Gerais, em especial Belo Horizonte, que tem história de participação no desenvolvimento de grandes projetos de automação industrial, principalmente por meio de empresas de engenharia consultiva e de projetos e do trabalho de pesquisa em universidades”, explicou. “Mesmo assim há grande procura por profissionais no Estado por causa da presença de indústrias do setor minero-metalúrgico e de celulose, que apresentam demandas contínuas, e de empresas de engenharia e tecnologia da informação prestadoras de serviços. Também há grande busca por esses profissionais na área biomédica.”

Enquanto os Estados Unidos e alguns países da Europa e Ásia se preparam para essa nova fase de competitividade, o Brasil ainda precisa lidar com alguns entraves na corrida pela automação. Um deles é a defasagem tecnológica, que contribui para piorar a produtividade do País. E as instituições de ensino têm missão importante para a melhoria.

No caso da UFMG, há parcerias com empresas para aquisições de licenças educacionais de pacotes de softwares, como Supervisory Control and Data Acquisition – Scada e Plant Information Management Systems – PIMS para propiciar aos estudantes contato, ainda que introdutório, com as ferramentas-chave de arquitetura de automação. O mesmo esforço é feito com relação aos controladores industriais e domóticos, adquiridos com desconto educacional para ensino em laboratório. “Com os recursos do Reuni, projeto de reestruturação e expansão das universidades federais, conseguimos melhorar substancialmente nossos laboratórios de controle e automação nos últimos três anos, incorporando novos recursos e multiplicando os já existentes”, contou Carmela. A melhora na educação pode ajudar a inserção da indústria nacional no mercado global, já que os países pouco adquirem o que é produzido no Brasil.

“As empresas também têm sua parte a fazer: investir na capacidade dos profissionais, dando-lhes oportunidade de trabalho mesmo sem ter, ainda, experiência acumulada no currículo”, finalizou a docente.

Setor de automação e indústria eletroeletrônica
Projeta-se que a indústria eletroeletrônica encerre o ano com crescimento de 3% no faturamento em relação a 2013, fechando com R$ 162 milhões, e a área de automação industrial seja responsável por 7%, o segundo maior aumento, empatada com telecomunicações, atrás de utilidades domésticas. As exportações e as importações deverão continuar próximas às realizadas no ano passado, e o número de empregados diretos poderá alcançar 179 mil, 1% acima do total em 2013. As informações são da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee. Os dados completos de 2014 ainda não estavam finalizados até o fechamento deste texto.

No primeiro semestre de 2014, o faturamento da indústria eletroeletrônica cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2013 e automação industrial representou 11% do total, empatada com o setor de equipamentos industriais, perdendo apenas para o de utilidades domésticas. Quanto às exportações do semestre, o valor atingiu US$ 3,3 bilhões, sendo que os produtos de automação tiveram a segunda maior participação, com 10%, seguidos pelos do setor de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica – GTD. Entre os dez produtos mais exportados no período, estão os instrumentos de medida, que pertencem à automação, com 22%, totalizando US$ 140 milhões. As importações caíram 1% no primeiro semestre de 2014 em comparação ao mesmo semestre do ano passado e a automação teve a segunda maior queda, de 7%, seguida por GTD. Dentre os dez produtos mais importados, instrumentos de medida tiveram queda de 9%, a maior queda, empatados com eletrônica embarcada.

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