Anorexia e bulimia carbônicas: Eu só quero ser carbono neutro

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Quod me nutrit, me destruit (o que me alimenta me destrói)

A anorexia é caracterizada por um quadro de emagrecimento autoinduzido e inclui itens como medo intenso da obesidade, perda de 25% ou mais do peso esperado, distúrbio da imagem corporal e ausência de doenças físicas. Qualquer semelhança com a meta nacional de redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020, é mera coincidência. Mesmo o Brasil já sendo uma economia de baixo carbono: nossas emissões per capita são metade da média mundial, nossa matriz energética é três vezes mais limpa e a matriz elétrica é 7,5 vezes mais limpa – somos hoje o que as obesas economias mundiais (carbono intensivas) gostariam de ser amanhã.

A anorexia está frequentemente associada à bulimia, um quadro caracterizado pelo consumo de grandes quantidades de comida em curto período de tempo seguida da tentativa de neutralizar seus efeitos, mediante vômitos, purgantes, laxantes, etc. Os defensores da causa aquecimentista, em sua grande maioria, não abrem mão de confortos e facilidades da vida moderna, classificados por eles mesmos como carbono intensivos, como viagens de avião. É necessária 10 vezes mais energia (combustível) para manter uma massa voando do que para transportar a mesma por meio rodoviário. Conhece algum aquecimentista que tenha utilizado tração animal ou barco para deslocamentos intercontinentais? Usando o seu próprio argumento, a compensação de emissões através do plantio de árvores seria como arrancar um braço de uma pessoa para depois reimplantá-lo mais tarde, talvez mais novo e até com melhorias.

Ambas (anorexia e bulimia) são médica e psiquiatricamente classificadas como desordens ou transtornos mentais. Supostamente, elas seriam uma resposta ao imperativo de beleza física inerente ao nosso mundo capitalista, competitivo e global, que, mediante esses comportamentos alimentares, poderiam chegar cada vez mais perto do que consideram perfeição: serem magras, muito magras. Conseguiriam popularidade, respeito, sucesso amoroso e aceitação. Exemplos de corpos e modos de vida perfeitos são personificados por celebridades, como Angelina Jolie (que tatuou no corpo a expressão Quod me nutrit, me destruit – o que me alimenta me destrói) e Victoria Beckham.

Nessa mesma linha, alguns fanáticos da seita suicida do aquecimento global (que se for seguida até sua conclusão lógica levará à extinção dos seres humanos) nos odeiam por termos filhos, por não dirigirmos carros híbridos, por, supostamente, tornar a vida de pinguins e ursos polares miseráveis e por acabar fazendo a Terra inabitável. Chegam a defender a redução da população mundial em 90%. Com somente 10% da população atual, somadas à capacidade de recuperação da natureza (resiliência), em pouco tempo o planeta retomaria as condições ambientais pré-aparecimento do homem na Terra.

Em 2000 (no Brasil em 2002), surgiu um movimento pró-anorexia e pró-bulimia na internet. Suas seguidoras receberam apelidos carinhosos, respectivamente, de Ana (anorexia) e Mia (bulimia). Havia até um objeto de identificação para reconhecimento: pulseiras vermelhas para as Anas e roxas para as Mias.

Frases como “não importa o que falem, vou atingir minha meta” (75% de redução de emissões até 2050), “nunca se está magra demais” (mesmo o Brasil já sendo uma economia de baixo carbono), etc., e incentivos para deixar “os ossinhos aparecerem” (mesmo que a economia nacional seja arruinada pela intempestividade dos compromissos de redução de GEE) são comuns e funcionam como combustível para uma luta incessante contra a comida (contra a emissão de gases de efeito estufa).

“Depois de dias, se bater aquela tontura ou perder o equilíbrio, a vista escurecer, der uma fraqueza… Só mostra o quanto você foi forte por ter aguentado até ali!” (mesmo que os principais problemas ambientais e de qualidade de vida sejam a falta de tratamento de água, esgoto e do lixo ou problemas de urbanização descontrolada, como a ocupação irregular de encostas e calhas dos cursos d’água, causas diretamente vinculadas às tragédias como a que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro).

Curiosamente, temos até projeto de lei que propõe barrar modelos que apresentem Índice de Massa Corpórea (IMC) abaixo de 18,5. Já nas políticas de mudanças climáticas, parece que caminhamos no sentido inverso.

Se Deus tivesse que realizar um EIA/RIMA para a criação do planeta Terra, certamente estaria compensando e indenizando até hoje a extinção dos dinossauros. Igualmente frente à responsabilidade objetiva (independe de culpa), estaria pagando alguma “human tax” pelo mau uso de nosso livre arbítrio no uso e consumo de recursos naturais (renováveis ou não), materializando o princípio do poluidor-pagador.

O Criador também responderia solidariamente pelos crimes ambientais cometidos pela raça humana. O Art. 2º da nossa lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605/98) determina: “Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la”. Seria aplicável a pena de reclusão, que varia de um a cinco anos + multa (sem considerar outras condenações cumulativas). É pouco ou quer mais?

Abusando dos temas afetos à teologia, devemos lembrar o alerta de São João Batista, o último profeta, aquele que comia gafanhotos e mel e bradava no deserto: “Arrependei-vos que o fim está próximo!”.

Anas e Mias carbônicas, uma dieta equilibrada (uso racional e responsável dos recursos naturais – renováveis ou não) e uma alimentação saudável (produção e consumo sustentável, acompanhadas de um choque tecnológico economicamente viável, produzindo mais com menos), além de uma necessidade física, podem ser um prazer!

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Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.

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