Energia, Meio Ambiente

A Responsabilidade da Indústria para com a Saúde Ambiental

agosto 30, 2010
Tempo de leitura 4 min

“Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de afecção ou doença” – Organização Mundial de Saúde – OMS (1948).

A VIII Conferência Nacional de Saúde (1986) ousou definir como: “Saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação; educação, renda, meio ambiente, trabalho, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acessos aos serviços de saúde, é assim antes de tudo, o resultado das formas de organização social”. Simples não?

O I Seminário da Política Nacional de Saúde Ambiental, (2005) foi um pouco mais pragmático, mas não menos prolixo, ao definir saúde ambiental como: “Campo de práticas intersetoriais e transdisciplinares voltadas aos reflexos na saúde humana, das relações do homem com o ambiente, com vistas ao bem-estar, à qualidade de vida e à sustentabilidade, a fim de orientar políticas públicas a serem formuladas com utilização do conhecimento disponível e com participação e controle social”.

A OMS estima que 30% dos danos à saúde estão relacionados aos fatores ambientais decorrentes de inadequação do saneamento básico (água, lixo, esgoto), poluição atmosférica, exposição a substâncias químicas e físicas, desastres naturais, fatores biológicos (vetores, hospedeiros e reservatórios) entre outros.

Entre as inúmeras conquistas, o homem triplicou a capacidade para aumentar sua densidade populacional – a quantidade máxima de pessoas que podem ser mantidas, em média, por quilômetro quadrado na superfície da Terra no curso da história registrada – através do processo de industrialização e suas respectivas revoluções científicas e tecnológicas e melhoramentos na organização social. Áreas desérticas passaram por uma bem sucedida transformação em regiões agrícolas, por meio de irrigação e desenvolvimento de solos. Igualmente assistimos o aumento espetacular e contínuo da expectativa de vida (inferior aos 30 anos antes da revolução industrial, atualmente estimada em 72,3 anos no Brasil e 90 anos em Mônaco. É projetado para o Brasil 84 anos em 2100).

Esta capacidade de “melhoramento do planeta” nos distingue de forma absoluta sobre todas as outras formas de organismos vivos.

Porém, vivemos um paradoxo: práticas que parecem melhorar a qualidade de vida em curto prazo podem conduzir a colapsos desastrosos em longo prazo, como resultado da exaustão/destruição de recursos naturais imprescindíveis à existência da sociedade moderna.

O impacto do homem sobre o meio ambiente atingiu, inquestionavelmente, proporções sem precedentes com a deterioração contínua dos ecossistemas de que depende nosso bem estar. Está acompanhado da perpetuação das disparidades existentes/desigualdade social, pobreza, fome, doenças e analfabetismo.

Os determinantes sociais têm um impacto direto na saúde ambiental e constituem a ‘causa das causas’. Estão incluídos entre os determinantes da saúde aqueles que estão sob maior controle do indivíduo (como certas condutas individuais) e outros, de abrangência coletiva, que são dependentes das condições políticas, econômicas, sociais, culturais, ambientais e biológicas, onde se pergunta: Qual é a responsabilidade da indústria para com a saúde ambiental?

Sua responsabilidade reside na percepção crítica da realidade, acompanhada de (pre)ocupações relativas ao meio ambiente, no diálogo cooperativo e no desenvolvimento satisfazendo as necessidades básicas, elevando o nível da vida em geral, com ecossistemas melhor protegidos e gerenciados, permitindo a construção de um futuro mais próspero e seguro.

O desenvolvimento da capacidade produtiva se faz por meio do progresso científico e tecnológico que expande o leque dos tipos de recursos naturais existentes que podem ser explorados de forma econômica e sustentável. Na prática se materializa pela produção mais limpa: redução do impacto ecológico – reduza, re-use, recicle e repare; controle e redução da poluição atmosférica, do solo, dos rios e da zona costeira; respeito e conservação das áreas especialmente protegidas (áreas de preservação permanente, reservas legal, unidades de conservação, etc.); gerenciamento de riscos químicos, ocupacionais, radiações e outros riscos físicos; gestão de resíduos e efluentes; implantação da Agenda 21; é descobrir novos princípios físicos e transformar estas descobertas em novas tecnologias e melhoramentos na organização da atividade humana.

Somos responsáveis pelo que fazemos, pelo que não fazemos, mas deveríamos ter feito e pelo que impedimos os outros de fazerem. Riqueza econômica e melhoramento do planeta são faces da mesma moeda, onde a vida humana é o seu maior tesouro.

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.

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