Meio Ambiente

A Lei do Lixo e a Responsabilidade das Indústrias

Rafael
Escrito por Rafael em 31 de agosto de 2010
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No último dia 03 de agosto, foi sancionada pelo Presidente Lula a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei do Lixo, ou política do berço ao berço) que tramitou no Congresso durante 20 anos e agora estabelece um novo cenário para os negócios.
A nova legislação responsabiliza as empresas pelo recolhimento de produtos descartáveis, por meio da Logística Reversa, além da integração de municípios na gestão dos resíduos e a sociedade pela geração do lixo.
A Lei pode ser vista como um marco regulatório que revoluciona, em termos ambientais, a área de resíduos sólidos. Para a indústria a legislação provocará um novo comportamento diante da responsabilidade pelo recolhimento dos produtos desde a saída da fábrica, até após a sua utilização. Pretende-se, com isto, que menos eletroeletrônicos, lâmpadas fluorescentes, agrotóxicos, pilhas, pneus, isopores, plásticos, entre outros materiais, possam ter destinação ambiental correta. Para tanto, a Lei faz a distinção entre, o resíduo que pode ser reaproveitado ou reciclado e o rejeito que não é passível de reaproveitamento.
Mas, vamos saber um pouco mais a respeito do que é logística reversa: O que é logística reversa? Qual a relação entre, a logística reversa e a sustentabilidade? Quais os benefícios econômicos que a logística reversa pode trazer para uma empresa?
A logística reversa é um meio, ou uma forma, que uma empresa utiliza para trazer de volta para sua planta, todos os resíduos ou descartes de materiais provenientes de um produto oferecido por ela para o mercado. Trata-se do gerenciamento do fluxo reverso dos materiais, também conhecimento como “política do berço ao berço”. Estes resíduos podem ser, desde a embalagem que envolve o produto, até o próprio produto quando o mesmo esta obsoleto.
Há uma análise fundamental a fazer: se considerarmos que o ciclo de vida dos produtos está reduzindo sistematicamente, a obsolescência pertinente a eles tende a aumentar tornando, o descarte do próprio produto, uma conseqüência imediata. Portanto, temos dois fatores a serem considerados a partir deste pontos.
1) O aumento da demanda do produto e o descarte do mesmos quando obsoletos;
2) A Garantia de fornecimento de matéria prima, com extração da natureza para suprir o aumento de produção causado pela obsolescência.
Ao falarmos de descarte de produtos percebemos um aumento em progressão geométrica do lixo gerado pelo custo do ciclo de vida do produto, portanto, este processo equivale a um grande impacto na natureza. Conforme aumenta o consumo reduz-se a disponibilidade de insumos in natura para garantir a disponibilidade da inovação no mercado.
O papel da logística reversa está em reduzir o lixo, aumentar a disponibilidade de matéria prima, incentivar ativamente pesquisas e o desenvolvimento de produtos aliados à natureza. A empresa pode ganhar com isto economicamente. Ao levarmos em conta a lei da oferta e da procura, a demanda de insumos in natura tende a crescer e, conseqüentemente, seu custo tende a crescer com a mesma proporção.
A implementação da logística reversa pode ter como desdobramento, a redução do risco da empresa ao enfrentar a pressão dos fornecedores de insumo, mantendo-se ativa em um mercado, cada vez mais potencializado por demandas por inovação.
Temos que levar em consideração que a indústria de alumínio já utiliza intensamente deste processo, reutilizando cerca de 98% de todas as latas de alumínio descartadas, reduzindo o complexo e caro processo de extração de bauxita e transformando em alumínio.
Pensar na logística reversa é pensar em alavancar práticas e estratégias que possam gerar negócios mais sustentáveis, seja do ponto de vista social, financeiro e ambiental.
Em recente visita ao Centro de Distribuição das Casas Bahia em Jundiaí pude presenciar as instalações e atividades que fazem parte do programa de Logística Reversa da Empresa, o recolhimento do material utilizado pelo consumidores é feito pela própria frota da empresa, que garante o manejo correto e a destinação do material recolhido. O recolhimento dos papelões, isopores, madeiras e plásticos utilizados nas embalagens, bem como os aparelhos eletroeletrônicos que foram utilizados pelos consumidores e descartados quando envelhecidos. Todos estes materiais são separados e destinados à reciclagem ou destinados a instituições que fazem o correto descarte dos materiais.
Este tipo de ação pode garantir para a empresas rendimentos, uma vez que, pode-se vender o material reciclado e reverter a quantia para atividades da empresa, ou mesmo, para programas sociais que a empresa mantém – fazendo com que a cadeia produtiva possa ser “lucrativa” até o seu final.
Crédito: artigo escrito por Ana Paula Arbache, sócia diretora da Arbache Consultoria e responsável pelas ações de gestão de pessoas, cidadania corporativa, sustentabilidade ética, social e ambiental.

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3 Replies to “A Lei do Lixo e a Responsabilidade das Indústrias”

Lis de Oliveira

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A lei do lixo e a responsabilidade das industrias.. Neat 🙂